terça-feira, 20 de outubro de 2026
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Maricá · 3 min de leitura

Como se formaram as lagoas de Maricá? Sistema costeiro guarda milhares de anos de história

As lagoas de Maricá são resultado de transformações naturais que envolvem mudanças no nível do mar, transporte de areia, ação das ondas e formação de barreiras arenosas ao longo de milhares de anos.

A paisagem faz parte de um ambiente conhecido pelos pesquisadores como sistema barreira-laguna. Nesse tipo de formação, faixas de areia se desenvolvem paralelamente ao oceano e isolam, total ou parcialmente, porções de água que passam a formar lagoas costeiras.

Estudos científicos mostram que a planície costeira de Maricá possui duas barreiras arenosas e depósitos sedimentares que ajudam a reconstituir períodos de avanço e recuo do mar. Pesquisa publicada na Revista Brasileira de Geociências identificou camadas sedimentares com 25 metros ou mais de espessura na região.

Mar já ocupou áreas diferentes do litoral de Maricá

A história geológica da planície costeira remonta ao Pleistoceno, período iniciado há cerca de 2,6 milhões de anos.

Pesquisas apontam que uma transgressão marinha — avanço do mar sobre o continente — ocorrida há aproximadamente 120 mil anos formou grandes enseadas ou ambientes lagunares na região. Com alterações posteriores do nível do oceano, ondas e correntes redistribuíram sedimentos e ajudaram a construir as barreiras de areia.

Nas áreas mais baixas, a água ficou represada entre essas barreiras e o relevo continental, contribuindo para a origem do sistema lagunar que marca a paisagem atual de Maricá.

Duas barreiras arenosas ajudam a explicar o sistema lagunar

A planície costeira de Maricá possui uma barreira interna mais antiga, associada ao Pleistoceno, e uma barreira externa mais recente, formada no Holoceno, período iniciado há cerca de 11,7 mil anos.

Entre elas, há áreas baixas, pequenas lagoas antigas e setores que foram gradualmente preenchidos por sedimentos e vegetação ao longo do tempo.

A barreira interna apresenta altitudes entre cerca de 5,4 e 9 metros acima do nível médio do mar. Já a barreira externa pode alcançar aproximadamente 12 metros em pontos onde as dunas foram preservadas.

Georadar revela camadas formadas por avanços e recuos do mar

Levantamentos com georadar e sondagens permitiram identificar seis unidades sedimentares organizadas em três sequências deposicionais. Elas indicam fases em que o sistema barreira-laguna avançou em direção ao continente, cresceu em direção ao mar e sofreu erosão.

Uma das barreiras identificadas pelos pesquisadores começou a se formar há aproximadamente 45 mil anos. Mais tarde, um beachrock submerso em Itaipuaçu, datado em cerca de 8.500 anos, registrou o início de uma fase mais recente de sedimentação, relacionada à elevação gradual do nível do mar até aproximadamente 5 mil anos atrás. Veja o estudo.

Lagoas de Maricá continuam em transformação

As lagoas não são estruturas imóveis. Elas recebem sedimentos transportados por rios e chuvas, acumulam matéria orgânica e têm as margens modificadas pela vegetação, pelas tempestades e pela dinâmica da areia.

O assoreamento é um processo natural, mas pode ser acelerado por desmatamento, aterros, obras sem planejamento e erosão do solo. Ao mesmo tempo, ventos, ressacas e alterações do nível do mar continuam remodelando as barreiras arenosas do litoral.

A história das lagoas de Maricá, portanto, ainda está em curso: o mesmo oceano que ajudou a criar esse sistema continua transformando a paisagem da cidade.