MicroETE de Itaipuaçu trata até 20 mil litros de esgoto por dia com uso de microrganismos

Uma estação compacta instalada na Rua 47, no Jardim Atlântico Central, em Itaipuaçu, utiliza microrganismos naturais para auxiliar no tratamento de esgoto doméstico. Conhecida como MicroETE — ou Mikroete, nome adotado pelo projeto —, a estrutura funciona 24 horas por dia e atende residências e pequenos comércios ligados à rede coletora.
Segundo o engenheiro sanitarista Raul Severo, coordenador da unidade, a estação recebe atualmente o esgoto de aproximadamente 200 imóveis e processa entre 15 mil e 20 mil litros por dia. O volume pode chegar a cerca de 400 mil litros mensais, conforme a carga recebida.
Como funciona a MicroETE de Itaipuaçu?
O processo começa com a chegada do esgoto bruto a um tanque elevatório. Em seguida, uma bomba leva o material até uma peneira estática, responsável por reter resíduos sólidos maiores.
Depois dessa etapa, o líquido segue para um tanque de equalização, que ajuda a homogeneizar as diferentes cargas de esgoto recebidas ao longo do dia.
O tratamento biológico ocorre em um contêiner com sistema de aeração. Os equipamentos injetam oxigênio na água, favorecendo a atuação e a multiplicação dos microrganismos responsáveis pela degradação de matéria orgânica.
Após essa fase, o efluente passa por decantação, processo em que parte dos sólidos se deposita. Antes da saída, a água tratada recebe cloração para reduzir a presença de coliformes e outros microrganismos potencialmente prejudiciais.
Bioinsumos ajudam a reduzir gordura e odores
Os bioinsumos produzidos na Biofábrica de Maricá podem ser aplicados em diferentes pontos da estação, principalmente onde há maior concentração de gordura e matéria orgânica.
De acordo com o coordenador, os microrganismos contribuem para degradar resíduos orgânicos e reduzir compostos associados ao mau cheiro do esgoto. A aeração também reduz as condições que favorecem a formação desses gases.
Em balanço divulgado pela Prefeitura em 2025, a Mikroete alcançou parâmetros laboratoriais exigidos pelo Inea e registrou redução de fósforo abaixo do limite adotado. Na época, a unidade atendia cerca de 150 famílias, com capacidade para até 600 pessoas. Prefeitura de Maricá
Água tratada poderá ter reúso não potável no futuro
Atualmente, o efluente tratado segue para a rede de drenagem. Segundo Raul Severo, a qualidade obtida no tratamento pode permitir o reúso da água em atividades não potáveis, como lavagem de calçadas e irrigação de plantas ornamentais.
Para isso, porém, ainda seriam necessárias estruturas de armazenamento, transporte, controle de qualidade e definição das regras de utilização. Portanto, o reúso não faz parte da operação atual da unidade.
Tecnologia pode ser adaptada a outras estações
A experiência da MicroETE também abre possibilidade para uso dos bioinsumos em estações de tratamento já existentes. A ideia é adaptar a tecnologia às características de cada unidade, buscando melhorar a eficiência ou ampliar a capacidade de tratamento.
A Mikroete foi desenvolvida em parceria entre a Codemar, a Sanemar e a Universidade Federal Fluminense (UFF), dentro do projeto Lagoa Viva. Codemar
Apesar do potencial da estação compacta, o resultado depende da ligação dos imóveis à rede coletora. A tecnologia trata o esgoto que chega à unidade, mas não substitui a expansão da infraestrutura de saneamento em ruas e bairros que ainda não possuem rede disponível.